Uma das maiores dificuldades com que me deparei em Inglaterra foi adaptar-me ao lado onde se senta o condutor...Poucos meses depois de estarmos cá, decidimos comprar um carro.
Os carros grandes, tipo Pegout 405, Nissan Primera, Ford Mondeo são muito mais baratos que os carros pequenos como Nissan Micra, Renault Clio, Vauxhall (Opel).
Isto porque após a compra, o carro pequeno gasta menos, paga menos selo, menos seguro, encontra mais lugares para estacionar, entre outras vantagens.
Primeiro ainda considerei comprar um novo, mas depois de num stand me terem dito que por ser emigrante seria muito difícil conseguir crédito e que nem iriam tentar, resolvi não me aborrecer e comprar um usado, a pronto pagamento.
Eu não gosto de carros grandes. Fui a procura de um pequeno, que me coubesse no bolso.
Os carros cá são muito mais baratos. E após uma breve conversa, o vendedor baixa o preço em centenas de libras.
Mas, se os vendedores de carros nunca parecem ser muito sérios...
...Acreditem, um vendedor estrangeiro parece ainda menos honesto, só porque pertence a uma cultura que não conhecemos.
Depois de muito procurar, (procurar carro, quando não se tem nenhum é complicado, apenas porque os stands nao ficam no centro da cidade), encontrámos exactamente o que queriamos.
Um Micra.
Como eu gosto do Micra.
Sempre gostei.
E cabia no bolso!
Antes de contar tudo, quero deixar bem claro que eu considero que conduzo bem.
Não sou um perigo para mim, nem para os outros.
As pessoas sentem-se seguras comigo.
Portanto o que vem a seguir nada tem a ver com uma possível azelhisse minha, quem me conhece sabe que é verdade.
Após a troca comercial, lá me sentei ao volante para o trazer para casa.
Á minha frente uma estrada cheia de trânsito.
O meu marido a medo perguntava:"_amor, achas que és capaz?"
E eu cheia de mim dizia: "_claro que consigo, ja tenho a carta há muitos anos e blabla..".
Cá dentro o coracao batia.
Tentava meter a primeira sem olhar, procurava desesperadamente pelos espelhos.
"Onde é que estes gajos metem os espelhos?"
"Pum!" cacetada na porta...A mão direita tão habitaudinha às mudanças...
"Pum!" no vidro e na porta outra vez...
Pois, ali era a marcha atrás... Está tudo ao contrário!!
Raios as mudancas não entram..ah jà está...!
Ui não esta a chover, mas onde é que andam os piscas??
E o lado da estrada?...Também circulam do outro lado..
Rotundas? Sim fazem-se ao contrário.
Durante os primeiro meses recusava-me a andar de carro sozinha com a minha filha.
Confesso...
Entrei fora de mão algumas vezes.
Fiz rotundas ao contrário, com o meu marido a tentar manter a calma mas a dizer:"sai sai estás mal, sai já aqui!".
Andei meses muito confusa. Andei mesmo muito frustada.
Um dia chatiei-me com o marido. Porque a culpa era dele (hahaha) que me transmitia insegurança (o pobre ja ia com o coração nas mãos). Mas nesse dia disse-lhe que não precisava que me estivesse sempre a dizer o lado das estradas e das rotundas e essas tretas todas e que eu já era bem capaz sózinha.
Nos primeiro dias o maridinho andou caladinho, mas eu conseguia ouvir a respiração ansiosa e os hum, ai, sabem?
Eu tentava-me concentrar e provar, acima de tudo a mim mesma, que era capaz.
Depois o marido foi mesmo acalmando, confiando.
Tive muitas dúvidas, mas como sou torcidinha, não perguntei.
Consegui. Hoje é muito natural para mim fazer tudo do outro lado.
Até já fui para o Centro de Londres!
Já voltei a conduzir em Portugal e as coisas processaram-se naturalmente.
Agora posso dizer que sei conduzir dos dois lados!
O lado direito.
Saiba-se que os Britânicos dizem que eles conduzem do lado certo.
O resto do mundo (excluindo as ex-colonias) é que anda do lado errado.


6 comentários:
Ui isso para mim havia de ser bonito, havia... e tu fizeste rotundas ao contrario e nem disseste nada???? Ai que perigo Sílvia.. eu nem me atreveria a tentar conduzir, eu nunca faria uma rotunda do lado certo... lol
hahaha! Por acaso so aconteceu uma vez. Mas aconteceu. Nao foi numa rotunda como a do Marques de Pombal, era mais como aquela perto do Vasco da Gama, mas de repente baralhei-me. Acontece.
Grande mulher!
ahah que aventura :) deixa lá, acontece aos "melhores" :D custou mas já está mais uma prova superada.
a primeira vez que entrei num carro inglês, entrei do lado do passageiro (esquerdo) mas mal me sentei coloquei as mãos em posição de volante... e eu nem conduzo!
A mim já me fez confusão atravessar a estrada, quanto mais conduzir do outro lado!
Livra! :)
Bem, eu acho que não conseguia...
mas tu foste valente!
Beijos,
Sandra e Afonso
www.bebeafonsinho.blogspot.com
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