As minhas Princesas

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30/01/2012

Gravidez - A segunda




Em 2011 fiquei grávida pela segunda vez na minha vida.
Embora nao esteja a viver no meu país de origem, Portugal, fiquei confiante pois sempre ouvi dizer bem do sistema de saúde em Inglaterra e para dizer a verdade não tenho a menor razão de queixa.
Devo dizer que esta experiência foi muito diferente da primeira, não só porque estou a viver noutro país, mas também porque tenho uma idade diferente, entre outras coisas.

Agradável Surpresa

Há quem me tenha dito que a culpada desta segunda gravidez foi a minha mana, pois foi mãe em Dezembro de 2010 e eu visitei-a em Fevereiro para conhecer o meu novo sobrinho - De modos que este evento pode ter acordado o meu instinto maternal, ou como se diz por aqui " made me broody".
Desta vez eu notei as diferenças em mim. 
A minha roupa estava a ficar apertada. 
O meu peito estava maior. 
As calças de ganga magoavam-me na barriga. 
Pensei para mim: "será que estou grávida?"
Não estava a tomar qualquer precaução e se há coisa que nunca ocupou o meu querido cérebro foi saber a data da minha última menstruação.
Quando chegava a noite e eu ficava a ver televisão sentia uma fome inexplicável (pois tinha acabado de jantar há um par de horas) e um calor que me abafava. 
Pensei muitas vezes que estando eu a chegar aos 40 de certo estava a ter sintomas precoces de menopausa.
Dia 11 de Abril Baptizamos a Beatriz. Eu tinha vestido uma cinta porque estava com a barriga um pouco mais proeminente. 
Reparei também como o meu peito parecia querer saltar do vestido. 
Nesse dia tive quase a certeza de que estaria grávida e prometi a mim mesma que no dia seguinte ia comprar testes e confirmar as minhas supeitas. 
Perguntei a minha mãe se me achava mais gorda - ela responde a isto sempre com muito cuidado, pois sabe que se trata de um tema muito sensível - disse-me: "não estás gorda Sílvia, mas ja tinha reparado como estas muito bonita, não te fica bem quando ficas muito magrinha".
No dia seguinte passei no Sunsburys e comprei três testes. 
Três! 
Cheguei casa e meti-me na casa-de-banho. Estava nervosa, confesso. 
Tinha medo que fosse mesmo a menopausa.
O primeiro teste deu POSITIVO.
Senti um calor subir por mim acima. 
Uma zonzeira. Uma alegria que me invadiu por completo. 
Eu estava grávida com o meu segundo bebé! 
Corri a contar a minha mãe  que ainda cá estava a passar uns dias de férias. Telefonei ao meu marido em histeria. Ele ficou tão contente como eu.
Devo dizer que mais tarde descobri que estava apenas com 1 mês de gravidez, acho que desta vez percebi quase desde o início, porque as transformações começaram muito mais cedo (da Bea, devia estar com dois meses e meio quando descobrimos a gravidez).
Estava (e estou) empregada outra vez. 
Desde que cheguei a Inglaterra a minha vida recomeçou. 
Mudei de carreira, deixei o Jornalismo (que foi apenas um sonho que tive a sorte de poder realizar) e entrei na área de Publicidade Online. Passou-me uma ligeira preocupação pela cabeça, mas logo se esfumou porque a minha manager é uma pessoa muito diferente, muito humana e uma grande amiga.

As parteiras - Anjos

O acompanhamento da gravidez por aqui é algo diferente, embora em termos de exames acabe por ser praticamente o mesmo.
Enquanto que em Portugal as consultas são com o médico de familia, aqui as consultas são feitas com parteiras, sendo que visitamos o médico de familia uma vez por trimestre.
As parteiras (mid-wives) são como anjos na Terra.  Elas fazem o acompanhamento da gravidez no centro de saúde, trabalham no hospital onde vamos ter o parto e são elas quem faz o parto e fazem tambem o acompanhamento pós-parto nos 15 dias que se seguem ao parto, visitando-nos em casa. São pessoas infitamente disponiveis, amáveis, educadas, respeitadoras, sábias, cumplices e tudo de bom que possas imaginar.
As parteiras tiveram sempre palavras amigas e apaziguadoras, tirarm-me todas as dúvidas que ainda tinha nesta segunda gravidez. Sabiam onde estava a minha bebé apenas apalpando a minha barriga.

Menina

Em Inglaterra só se fazem duas ecografias: uma por volta das 12 semanas e uma segunda por volta das 24 semanas. 
Na primeira eco não fazem qualquer menção ao sexo do bebé . 
Na segunda não se esforçam muito por perceber se é menina ou menino e é a última coisa que dizem - primeiro certificam-se de que esta tudo bem com o bebé.
Eu e a Bea queriamos uma menina (eu senti que tinha uma menina a gerar-se dentro de mim), o pai estava na esperança de que desta vez fosse um menino.
A segunda eco confirmou, tinha-mos outra menina a caminho. Escusado será dizer que a Beatriz saltou de alegria, eu fiquei emocionada e eu pensei para mim: "eu sabia!".

Alice

Na minha primeira gravidez disseram-me que iria ter uma menina logo na primeira ecografia. Soube desde logo que ia ser Beatriz, um nome que sempre adorei. 
Quando me disseram acerca desta segunda menina não tinha nenhum nome em mente. 
O nome tinha de se escrever igual em Inglês e Português e soar praticamente igual, era esse o nosso pré-requesito. 
O primeiro nome que me soou lindamente foi Ema. Eu e a Bea andamos uns tempos a chamar-lhe Ema, mas o meu marido não conseguia gostar do nome o suficiente para o dar a uma filha. 
Acabei por fazer uma lista de meia dúzia de nomes que eu gostava e disse ao meu marido para escolher um deles, porque eu gostava de todos. 
Numa das suas viagens a Portugal, enquanto almoçava com a minha família ligou-me e depois de falarmos um bocadinho passou-me à minha mãe que me disse "adoro o nome que escolheste para a menina. Alice é um nome mesmo bonito". 
Foi assim que decidimos que ia ser Alice. Desde a primeira vez que disse este nome que tive a sensação de que não poderia ter sido outro. Sim, a minha bebé era a Alice!

Serena e saudável

A minha segunda gravidez foi muito saudável. Não tive qualquer precalço, nem mesmo as infecções urinárias que me tinham atormentado da primeira vez. Foi igualmente serena. A minha manager foi sempre muito compreensiva, muito amiga e tirando o stress normal do dia-a-dia no trabalho, tudo correu muito bem. 
Quando comecei a chegar ao fim da gravidez comecei a pensar se este parto iria ser desencadeado naturalemente, ou se mais uma vez iria ter de passar pelo horror da indução. 
Partilhei as minhas preocupações com as parteiras, que me asseguraram que cada gravidez é única e que nada indicava que iria passar pelo mesmo. A minha preocupação era tanta que cheguei a pedir que me fizessem uma cesariana às 40 semanas, o que desde logo me foi recusado, alertando-me para os perigos de uma cesariana, que não é mais do que uma cirurgia e como tal deve ser evitada ao máximo. 
Segui o conselho das parteiras. 
Mas cheguei as 40 semanas e nada de sinal de parto. Tenho uma amiga cujo parto estava previsto para a mesma data que o meu, 6 de Dezembro, que teve a menina às 38 semanas. 
Eu comecei a ficar triste. Sentia que alguma coisa devia estar errada comigo. Mas porquê? Porque é que o meu organismo não começa o processo do parto naturalmente, por si mesmo?

Eu Funciono

No dia 12 de Dezembro, por volta das 10h da noite comecei a sentir uma moinha na zona dos rins. Senti também umas gotinhas de liquido a sair e fiquei com a sensação de que era liquido amniótico. Pensei para comigo se seria o início do trabalho de parto. Mas nao me iludi muito, receava a desilusão. Fui-me deitar e não disse nada nem ao meu marido, nem a minha mãe - que tinha vindo no dia 4 de Dezembro para ter a certeza que estava connosco dia 6, para ficar com a Bea e também para conhecer a nova neta e estar com ela uns dias.
Eram 3 da manhã, dia 13 de Dezembro acordei. Tinha a mesma moínha nos rins e uma ligeira dor na zona dos ovários, o mesmo sítio onde dói quando está para se iniciar a menstruação. 
Não tinha a certeza se seriam contracções, pois não se tinham desencadeado naturalmente na primeira gravidez. Fiquei atenta e as "contracções" estavam com uma distância de 30 minutos. 
Estive acordada cerca de duas horas e o intervalo entre as ligeiras contracções manteve-se. 
Acordei já eram 5h da manhã. As contracções mantinham-se espaçadas. Decidi dizer ao meu marido e mãe, mas  não  disse nada a Bea, sabia que ela andava ansiosa porque a mana nascesse e não queria que fosse para a escola a pensar nisso, ou pior, que recusasse ir para a escola, porque tinha dito que queria ir para o hospital comigo.
O meu marido foi levar a Bea a escola e eu fiquei em casa; quando voltou para casa perguntou-me se ainda tinha tempo para tomar um duche e eu disse que até podia tomar um banho, que não  estava com nenhuma dor forte, eram apenas moínhas e contracções espaçadas. 
Liguei à minha irmã para lhe contar a grande novidade, que me parecia que tinha iniciado o processo do parto por mim mesma, mas quando estava a falar com ela embargou-se-me a voz com a emoção e quase que desatei a chorar - consegui manter a postura, mais para não a preocupar.
Enquanto o meu marido estava no banho bem descansado eu comecei a ficar mais incomodada. A minha mãe percebeu logo e apressou-o para que saísse do banho que era preciso ir para o hospital bem depressa. Eu como que ainda a duvidar de que realmente tivesse em trabalho de parto, liguei para o hospital, contei como me sentia e disseram-me para passar la, só para verem como estava.

O Parto

Estava um bocadinho stressada, confesso. Nervosa. Disse que queria ser eu a conduzir para o hospital e assim foi (que eu quando ponho uma coisa na cabeça...). A meio do caminho as contracções começaram a ser mais fortes e mais espaçadas. Eu não querendo dar parte fraca não informei os meus passageiros (marido e mãe), mas ainda pensei que ia ter ali a menina, ha!
Cheguei a St.Peter's Hospital, em Chertsey e fui a andar devagarinho até à recepção. 
Mandaram-me ao bloco de partos para me verificarem o meu estado. Cheguei ao primeiro andar e não estava ninguem disponível para me observar, mandaram-me ao rés-do-chão novamente. Fui observada. Tinha 4 cm dilatação. 
Disseram-me para voltar para casa, ou dar umas voltas no parque de estacionamento. que ainda podia demorar. Quando coloquei os pés no chão senti que não estava em condições de ir a lado nenhum. Quase nem conseguia sair daquela sala. Disseram-me então para ir para o bloco de partos. Cheguei lá com muita dificuldade. Pediram-me que me sentasse e aguardasse, estavam muito ocupadas e não havia camas disponíveis. Eu respondi que não me podia sentar, estava cheia de dores e que se não havia cama para mim que me ia deitar ali no chão, haha. A sra da recepção olhou aflita para mim, foi falar com as parteiras e quando voltou disse-me " arranjamos uma cama para si". 
Foi com dificuldade que dei os passos até à cama que era para mim. Não era só uma cama, mas um quarto, só para mim, com sofás e todo o equipamento necessário.
Comigo no quarto estava a minha mãe e o meu marido. 
Deitei-me meia zonza, com dores, vestida, não tive ideia de vestir a camisa que tinha trazido comigo e nenhum dos meus acompanhantes teve cabeça para se lembrar desse pormenor - nem a parteira que estava a tomar conta de mim se lembrou disso. Eram 10h da manhã quando entrei realmente em trabalho de parto, as 11h30 da manhã estava deitada na cama onde iria nascer a Alice.
Estive sempre acompanhada pelo meu marido e pela minha mãe. A parteira esteve presente a maior parte do tempo, nao me colocou nenhum CTG. Quando eu tinha a contracção oscultava a Alice e verificava se estava tudo bem. Ao contrário do parto da Bea, aqui tinha total liberdade de movimentos e podia estar na posição que fosse mais confortável para mim - embora eu quando tanta dor não pensasse em me levantar. 
Ao fim de 3 horas de dores comecei a rogar pela epidural. A parteira foi chamar o anestesista. Colocou-me o catéter na mão direita. O Anestesista chegou e começou a dizer-me acerca dos riscos que uma epidural pode ter.
 Eis que senti a minha filha ser expulsa do meu corpo. Uma força indescritível, sobre a qual eu não tive qualquer controlo.
Gritei que a minha filha estava a nascer. O Anestesista parou o discurso e olhou para a Parteira, um bocadinho baralhado. A parteira espreitou e não teve tempo de fazer mais nada, do que amparar aquela bebé, que estava determinada a nascer naquele momento. Foram três expulsões espontâneas, em três segundos, eu nao tive qualquer controlo neste acontecimento, e tinhamos Alice no Mundo das Maravilhas!

A espera

O trabalho de parto durou três horas. A Alice nasceu a 13.12.11  à 1.11pm. Tive dores intensas (durante o trabalho de parto mordia a minha mão com a ideia de desviar a dor e a minha mãe oferceu-me a mão dela para que mordesse antes ali, haha, que amorosa - eu nao aceitei claro), mas nada que se comparasse às dores que tive com a indução. 
Não me cortaram, mas rasguei, tal foi a intensidade com que ela nasceu. Fui cosida com anstesia. 
Deram-me uma injeção para ajudar a expulsar a placenta, mas fiquei com a ideia de que do parto da Bea, sem injeção a placenta saiu mais facilmente. 
A menina nasceu, colocaram-ma logo no colo ainda ligada pelo cordão umbilical, tal como fizeram com a Bea. O pai cortou o cordão. Levaram-na para a limpar e colocaram as pulseirinhas de identificação nos pézinhos. Voltaram a colocá-la no meu colo, nuinha. 
A parteira entrava e saía do quarto. 
Entrei em choque, uns minutos depois do parto. O meu corpo tremia sem controlo. Aconteceu-me o mesmo com a Bea. Passou depressa e sem dramas. 
Entretanto o meu marido foi buscar a Bea à escola. Eu pedi à parteira para me ajudar a limpar e mudar para a minha camisa antes da minha filha mais velha chegar. Tinha tido a minha filha com o vestido com que tinha chegado. A parteira  saía  e demorava-se meias horas. Depois vim a saber que estavam com falta de pessoal e que a  minha parteira estava a tratar de duas mulheres ao mesmo tempo.
Chegou a minha filha mais velha e eu ainda cheia dos liquidos e sangue na cama. Ela viu tudo com naturalidade e ficou maravilhada com a irmã.
Quando o meu marido voltou com a Bea e a minha mãe, cerca de duas horas após o parto, eu estava prontinha para tomar o duche. Fui sózinha. Não queria ninguém comigo, mas confesso que estava meia zonza. Depois do duche, vesti a minha roupa de rua e fui com o meu marido apanhar ar fresco e buscar algo para comer, porque não tinha almoçado. Soube mesmo bem sair a rua depois de todo aquele alvoroço. Voltei ao quarto e nem sinal da parteira. Já eram cerca de 4h da tarde. Por volta das 7h da tarde o meu marido, filha e mãe foram para casa e eu fiquei no quarto do bloco de partos, tinha de esperar que me dessem ordem para descer para a enfermaria. 
A minha parteira acabou o turno e disse-me que em breve me iriam buscar para a enfermaria. Eram 8h da noite. Eu sentia-me esgotada. Queria ir descansar. Estava ali naquele compasso de espera. Não chegava a adormecer porque estava sempre a pensar que chegaria alguém para nos levar para baixo. 
Eram cerca da 9h da noite quando uma auxiliar chegou com uma cadeira de rodas, para me levar para a enfermaria. Disse-me que a cama estava livre há algumas horas, mas não tinham ninguém para me ir buscar. Eu disse que não queria ir na cadeira, que queria ir a andar. A auxiliar ficou boqueaberta e quando chegámos a minha cama disse-me que se tinha esquecido fazer uma tour pela enfermaria (dizer onde eram os pequenos almoços, etc) porque estava surpreendida coma minha mobilidade. Fomos alegremente a conversar e descobri que a auxiliar é tia de um menino que anda na escola com a Bea já há alguns anos.
No dia seguinte, por volta das 11h da manha fizeram o check-up final e tivemos alta para ir para casa. Era Quarta-feira e fui buscar a minha filha mais velha à escola. Sentia-me (e sinto) muito feliz. Eu funciono. O processo começou naturalmente e correu tudo bem.

14/01/2012

Gravidez - A primeira



Fui mãe pela segunda vez há cerca de um mês. 
Tive uma experiência maravilhosa e já há umas semanas que ando a pensar em fazer o relato do meu parto, aqui em Londres. 
Mas ao pensar nisso, decidi primeiro relatar o meu primeiro parto, em Portugal, para que possa comparar os dois sistemas.

Não fazia a menor ideia 

A minha primeira gravidez foi há cerca de oito anos e meio, comecou em Outubro de 2012.
Trabalhava na revista Maria, Impala. Vivia em Mem-Martins, Sintra, num apartamento situado no 4o andar esq. 
Em termos de saúde tive uma gravidez boa, com a excepção de um par de infecções urinárias, uma delas bem chatinha. Andava maravilhada com todas as mudanças que o meu corpo passava e com aquele ser que se gerava dentro de mim. Mais maravilhada ainda com as ecografias. Fizemos três no total e desde a primeira que nos disseram que 99% era uma menina. Soube desde o início que se ia chamar Beatriz, o meu nome de sonho, que sempre adorei. A primeira eco fiz  às 10 semanas, a segunda foi perto das 20 semanas e a última por volta das 24 semanas. Acabei por fazer uma extra, como contarei mais a frente. 
Não fazia a mínima ideia de estar grávida Uma colega chamou-me a atenção para que o meu peito estava maior, questionando se estaria grávida, a que respondi prontamente que não. Mas fiquei com a pulga atrás da orelha e uns dias depois o meu cunhado deu-me uns testes de gravidez que fiz pensando que iam dar negativo. Fiz 3 testes e todos davam positivo. Eu não conseguia acreditar, porque não notava nenhuma diferença no meu corpo, mas lá acabei por ir ao médico, que me informou que se os testes eram positivos, eu estaria grávida.
 Marcou-me a primeira eco e eu achava que se ia descobrir nesse dia que eu não estava grávida, pois não sentia ou via sinal nenhum. 

Stress no trabalho

Em termos psicológicos tive uma gravidez cheia de desafios. Trabalhava na revista Maria, como Jornalista e ocupava um bom lugar na redacção. Era das pessoas que saia mais em reportagem e tinha a meu cargo (partilhado com uma outra colega) a cobertura do Big Brother, o que era em si muito prestigioso. 
A minha directora era muito minha amiga, mas quando a informei que estava grávida, fez um sorriso amarelo e perguntou-me se eu sabia que ser mãe ia mudar a minha vida para sempre. Eu disse que sim, mas não fazia a menor ideia do que ela estava a falar - devo dizer que a dita senhora já era mãe de duas crianças
Conforme a gravidez avançava a minha relação com a directora da revista azedava cada vez mais. Atribuía-me reportagens  à noite, até altas horas, longe de Lisboa, tendo de viajar mais de 200km num só dia, entre outras coisas. Quando lhe disse que preferia trabalhos mais perto e a horas diferentes, porque me custava devido a estar grávida, disse-me que a gravidez  não  era doença e uma vez perguntou-me directamente se me estava a recusar a fazer o trabalho.
Tudo isto vinha com uma crescente falta de consideração e respeito. Acabou por me retirar dos trabalhos de rua e atribuiu-me a gestão  das novelas, na redacção, o que era um trabalho muito aborrecido, mas que aceitei sem reservas.
Foram muitas as lágrimas que verti naquela  redacção,  durante a minha gravidez. Andava sempre muito enervada, muito stressada, devido ao modo como a minha directora me tratava. O que me valia era o meu marido, que em casa me dava paz e devolvia a harmonia que tanto me fazia falta. 

Imprevistos

A minha filha estava prevista para dia 9 de Julho. Iniciei a minha licença de maternidade no dia 1. O dia 9 chegou e nada de sinal de parto. Cheguei perto das 42 semanas, dia 17 de Julho tive uma consulta no hospital onde ia ter a minha filha, Hospital Amadora-Sintra, e verificaram que a minha tensão arterial estava demasiado alta. Aconselharam-me a ficar internada nesse mesmo dia e a ser induzida no dia seguinte. Eu estava muito frágil, nunca tinha estado internada num hospital, chorei, mas fiquei.
Nesse mesmo dia fizeram mais uma eco.
Na manha seguinte informaram-me que a eco do dia enterior tinha deixado uma suspeita de um pequeno problema no coração da bebé e que o cardiologista tinha de fazer uma eco promenorizada ao coração da bebé. Fiquei em choque. Estive em pânico durante toda a eco. O cardiologista não dizia uma palavra, estava super concentrado em verificar todos os cantinhos do coração da minha Beatriz.
Acabou a eco e o cardiologista, muito calmo, disse-me que estava tudo bem e que tinha sido falso alarme.
Subi para enfermaria meia aparvalhada e ainda dormente com toda aquela adrenalina.
Lá em cima (na enfermaria) a notícia espalhou-se rápido entre as enfermeiras e todas me davam os parabéns ao passar.
Ao meio dia, no dia 18, comecou a indução.
Passaram um par de horas e nada.
Fui dar umas voltas pelo hospital, porque me disseram que ajudava a iniciar o processo. Ás 3h da tarde senti a primeira contracção.
Rapidamente voltei a enfermaria e deitei-me. Colocaram o CTG na minha barriga, para controlar o batimento cardíaco da bebé e outro aparelho que reportava a intensidade das contrações.
Uma hora depois eu já estava com dores horríveis e de vez enquando dava gritos bem altos, mais para chamar a atenção das enfermeiras, achava estranho estar ali sozinha e nao me dizerem em que fase estava, ou se ainda faltava muito.
O meu marido esteve sempre comigo, massajava-me os rins e isso ajudava muito.
A certa altura, uma enfermeira já de idade e muito simpática perguntou-me se eu queria que ela me rebentasse as águas, que isso acelarava o processo. Eu disse logo que sim. Ela fê-lo. Senti um mar de água morna inundar-me as pernas.

Descida ao bloco de partos

A enfermeira ligou para o bloco de partos, informou-os de que as minhas águas tinham rebentado e mandaram-me descer. O meu marido não pôde entrar.
Colocaram-me numa sala pequena, que mais parecia uma dispensa.
Primeiro ainda lá estava um enfermeiro, mas as dores comecaram a ser insuportáveis e eu gritava como uma louca. Comecei a perder o controlo.
Ele, em ar de gozo, fazia perguntas idiotas, como: "mas porque grita tanto?" e eu acabei por lhe responder mal. Ele deixou-me ali sozinha.
A certa altura tinha uma vontade enorme de urinar. Chamei-os. Não vieram. Tirei o aparelho que monotorizava o batimento cardíaco da bebé, veio logo uma enfermeira a corer e ralhar comigo e eu aproveitei para dizer que queria ir a casa de banho. E depois voltou o tal enfermeiro e uma auxiliar. Queriam-me por a arrastadeira. Barafustei, dizia que não queria fazer na arrastadeira, sempre me deu tanto nojo, queria que me ajudassem a ir a casa-de-banho. Disseram que não. Lá acedi a que me colocassem a arrastadeira, não tinha alternativa. Mas quando precisava de levantar o rabo para a colocarem não o conseguia fazer, porque as contracções eram já muito fortes e o espaço entre elas muito curto. Cada vez que fazia o gesto de começar a elevar o corpo, tinha uma contração maior que tudo e não conseguia mover um dedo que fosse. Eles não me ajudaram. Simplesmente puseram um ar de enfado, como se eu estivesse a fazer de propósito e começaram a ameaçar que me algaliavam. E foi o que fizeram. Tive dores horveis para o fazerem, mas ao menos aliviei-me. Estava eu num mundo de desorientação, com dores que ultrapassavam todos os meus limites quando de repente ouço uma voz doce: “Oh Silvia, então?” Olhei e de repente nem via mais que uma imagem meio desfocada. Quando foquei melhor vi que era uma rapariga que eu conhecia muito bem desde pequena, Cidália. Nao vos sei dizer o alívio que senti ao -la ali, parace que até as dores se amenizaram. Falou-me com ternura e acalmou-me. Eu estava como louca, tinha perdido o controlo completamente - gritara como uma louca há cerca de hora e meia, estava toda suada e esgedelhada. A Cidália falou com as pessoas que estavam responsáveis por mim, e parace que as caras passaram a estar mais simpaticas.
Entretanto tinham dito ao meu marido que podia ir jantar à  vontade, que eu estava muito atrasada e que lá para as tantas da manhã é que deveria nascer.
Passava pouco das 6.30 da tarde quando senti a minha bebé fazer força para nascer. Gritei a bom gritar que me ajudassem pois a minha filha estava a nascer.

Olá Beatriz

Tinham-me deixado sozinha a gritar naquela dispensa. Apareceu uma senhora de cor, muito simpática e cheia de calma. “Então dizes que a tua filha está a nascer? Mostra lá”. Quando espreitou ficou nervosa e disse alto para me levarem logo para o bloco de partos, que aquela bebé estava a nascer. Eu dizia que era preciso ir buscar o meu marido, que ele estava lá fora e queria assistir.
Foi tudo muito rapido. De repente estava no bloco de partos e o meu marido ao meu lado, todo vestido de verde, lol. Pediram-me que fizesse força 3 vezes e a minha Beatriz nasceu.
Foi muito emociante vê-la, finalmente.  A minha menina estava ali, era perfeitinha e Linda. Colocaram-na no meu peito ainda ligada pelo cordão umbilical.
 Nasceu às 6.45pm. Fiz-lhe umas festinhas timidas nas mãozinhas. Colocaram-lhe as pulseirinhas de indentificação (uma na mão e outra no pé) e levaram-na.
Retiraram a placenta, o que  me causou algumas dores e coseram-me, acho que sem anestesia. Em Portugal cortam-nos para que nao rasguem nos sitios errados, e levaram-me duas horas a descansar para o recobro. Dormi um sono pesado e revigorante.

Depois da tempestade…

Quando acordei apareceu logo uma auxiliar muito querida, perguntou se queria que trouxesse a bebé e eu disse que sim.
Lavou-me delicadamente e mudou-me a a camisa de dormir. Tratou-se com muio carinho. Senti-me no Paraíso. A Beatriz nasceu com APGAR 10. Mamou logo que a coloquei na mama e  estava ainda a mamar quando nos levaram para a enfermaria. No caminho tive a surpresa maravilhosa de encontrar o meu marido no corredor, que estava na esperança de ainda nos ver mais uns minutos. Quase não pararam, mas senti-me feliz por o ver ali. Sabia que na manhã seguinte estaria lá para me visitar.
A Beatriz nasceu numa sexta-feira. No Domingo perto da hora do almoço tivemos alta e fomos para casa. Levei os meus jeans (que usava antes de estar grávida) vestidos. Tinha o meu cinto elastico pós-parto que me permitiu entrar na roupa pré-parto num instante.

Voltar ao trabalho

Estava muito feliz. 4 meses depois devia voltar ao trabalho. Coincidia com a renovação do meu contrato (já tinha renovado dois contratos e antes da gravidez tinham-me garantido que iria passar a efectiva) - quando faltava um mês para voltar recebi uma carta a dizer que a Impala não ia rebovar o contrato, nem passer-me a efectiva. Fiquei desempregada. Por um lado senti-me muito feliz, por ia estar mais tempo com a Beatriz e para dizer a verdade andava horrorizada com a ideia de ter de lidar com a minha directora. Mas na verdade foi desastroso. Acabei por ficar dois anos e meio desempregada. Em casa com a minha filha querida. Mas a nossa vida em termos financeiros deteriorou-se. Ninguém me dava emprego. Perguntavam se tinha filhos e quando ouviam dizer que tinha uma menina de meses, riscavam-me da lista de candidatos. Esta situação fez com que tomássemos uma decisão que mudou as nossas vidas radicalmente: emigramos para Inglaterra…



10/03/2009

O lado bom...


Comecei a trabalhar aos 20 anos. O meu primeiro emprego foi como entrevistadora para a Marktest. Ainda estava na Universidade. Julgo que estivesse no 2 ano.
Ja trabalho ha cerca de 15 anos. Foi preciso vir para Londres, para primeira vez na minha vida, estar efectiva numa empresa.

Fica efectiva nunca teve grande importancia para mim. Eu queria era andar de sitio em sitio a ganhar experiencia, conhecer novos metodos e novas pessoas. E foi o que fiz durante muito tempo.

Mas por aqui, as pessoas que nao sao efectivas sao tratadas de maneira diferente. Parece haver uma certa desconfianca, uma ideia que de um momento para o outro vais deixar de ali estar e ninguem conta contigo.

Por isso e por estar num altura em que procuro desenfreadamente sentir-me segura, solida, neste momento foi muito importante ter este estatuto.

Estou efectiva, ou permanente - como se diz por aqui - dizem-me que tive muita sorte, dado o cenario economico - Gosto do meu trabalho e da equipa onde estou inserida, mas eu ja penso no proximo salto e comeco a escutar o mercado e futuras oportunidades....Isto e normal?

09/05/2008

Coisas do Tempo


Há coisas que me surpreendem. Esta semana tem sido melhor que muitos dias de pleno verão. Acreditem que as temperaturas teem estado entre os 24C e os 26C. Os ingleses já andam cheios de escaldões e tudo ;)).
Até o meu morango se encheu de flores, pensando que talvez estejamos em pleno verão.
A ironia disto tudo, é que passei o Outono e Inverno sem me constipar e agora com estes dias gloriosos (como teem dito nas notícias) ando com uma grande constipação, com direito a 10 espirros sem série e dores de garganta.
Há coisas que me surpreendem!

03/05/2008

Gostos


Eu visto-a sempre com um sorriso e um pensamento: "estás tão grande e linda."
Um dia destes vesti-a como podem ver na foto. E não me contendo disse-lhe :"estás tão linda filha." Ela olhou-se ao espelho e respondeu:"Não estou nada. I look like a gardener".

11/03/2008

We have some of these here... Prédios

Sim, Inglaterra não é apenas casinhas baixinhas, maravilhosas, com um jardim encantador.
No entanto nao vemos a mesma selva de betão que temos em Portugal.
Recentemente foram identificados como erros dos anos 60 e estao na sua maioria a ser demolidos.
Um erro pois em todo o lado onde existem prédios, existe tambem mais criminalidade. Porque um apartamento é mais barato. Porque sao habitados por pessoas com menos posses economicas. Porque essas pessoas juntinhas, como que numa colmeia tornam os lugares autenticos focus socialmente problematicos.
Chegaram então a conclusão de que no maximo um predio (court) pode ter três andares, mais do que isso gera confusão.
Este é numa zona nos arredores de Londres, Sunbury Cross, que todos conhecem por ser uma zona nada aconselhável para se morar. Fomos la visitar uma loja da empresa do meu hubby!

09/02/2008

Life's' a party


Life's' a party
Originally uploaded by Pink Pink
Por aqui a vida social começa mesmo muito cedo. Segundo me parece, em simultâneo com a vida escolar.
Os pais têem a obrigatoriedade de tratar do assunto, caso não o façam são colocados de lado pelos outros pais, hehe acreditem que sim, Passo a explicar.
Desde o primeiro dia de escola (em Setembro) até ao ultimo (no final de Julho) é raro o fim de semana em que não há uma festa de anos.
Não sei como é em Portugal, mas aqui as festas de anos são autênticos eventos sociais para os pequenos. Há sempre a possibilidade de escapar a uma ou outra, mas mais do que isso é levado muito a mal por pais e consequentemente pelos filhos.
Se uma criança não comparecer às festas de fim de semana, os outros começam a não a considerar do grupo (na escola) e os pais deixam de perceber que nós existimos. Eu não sabia de nada. Francamente gosto de passar o fim de semana TODO em familia, a passear, ou mesmo reclusa em minha casa. O ano passado vi um pouco as consequências de ter ido a duas festas durante o ano inteiro. Este ano está a ser diferente, já sei e ja vamos a quase todas. Com a consequência de deixar de ter o sábado por nossa conta.
Hoje reparei que este ano as mãezinhas estão igualmente a aproveitar as festas para depositar os filhotes e bye bye que aqui vou eu. Deixam os filhos com 4/5 anos na festa sózinhos, a cargo dos pais do aniversariante e vão à sua vidinha...desculpem, eu sou muito galinha mesmo, ou elas estao a ser "aproveitar a ocasião"? Os miudos largam a "franga", claro. Com esta idade nao se concentram ainda muito tempo numa so brincadeira e às tantas andavam a correr os quartos todos da casa do miudo, por cima das cama, etc...
Sinceramente hoje senti-me mal, era a unica mãe, na festa.... Raios!

01/02/2008

Aqui não há Carnaval





Nesta altura do ano não vejo crianças mascarádas nas ruas, nem desfiles de máscaras, nem confetis, nem serpentinas coloridas.
Eu gosto do Carnaval. Sempre gostei. Foi raro o ano em que não me mascarei e estou a falar até há cerca de dois anos atrás, quando me mudei para Inglaterra.
Neste momento nem é bem por mim, mas pela minha filhota. As crianças divertem-se muito nestes dias. Eu sempre me diverti imenso.
Aqui temos um "Carnival", mas em Agosto (não sei se será por ser no verão).
É o Carnaval de Notting Hill, dizem que é uma das maiores atracções de Verão.
Não está relacionado com a religião, mas sim com uma tradição trazida pelos emigrantes da Caraibas, que assim festejavam a sua independência.
Fotos: Beatriz nos seus dois Carnavais em Portugal: Com 1 ano e 7 meses, de Capuchinho vermelho e com 7 meses de fada!

23/01/2008

coisas únicas


dia a dia


ad pontes, relembrando a passagem dos romanos


tamisa


tamisa


tamisa


tamisa


Knowle Green onde fica o edificio do council, perto da minha casa


linoleum


simpatia


estendal de jardim


edificio do council


High Street


High Street


Broadway


Lamas Park


Lamas Park


Lamas Park


Cisnes da Coroa


Bichinhos praga


um caixote para cada um


Pub no centro da cidade


Pub zona residencial



O que eu tenho aqui em Staines, que voces nao têem aí....ou coisas únicas

Vivemos o dia a dia muitas vezes sem reparar no que esta a nossa volta, sem ver as pedras onde tropeçamos, ou olhar as flores que nos perfumam o dia.

Quanto mais familiar nos é um lugar, menos vemos. Por isso é que os acidentes de autom óvel se dão uma grande parte das vezes perto de casa, ou do trabalho, ou de outro lugar que conheçamos bem.

A proposito de um "grupo" a que pertenço, de nome "a minha vizinhança" comecei a pensar a cidade onde vivo e que já considero um pouco como minha.

O que tenho eu aqui, que voces aí, noutro lugar que não este, não têem?

Vou tentar ilustrar com fotos, pela ordem que enumero aqui no texto:

1* AD PONTES, PONTES foi de certo um dos primeiros nomes de Staines. A cidade tem uma geologia muito boa para suster pontes e foi uma das primeiras cidades a erguer uma sobre o rio Tamisa. Mais tarde passou a Stane (derivado de stone), nome dado pelos Saxões, à custa de uma pedra grande que foi colocada num dos limites da cidade a indicar a jurisdição de Londres sobre o importante rio. Ainda hoje Staines delimita a zona da Grande Londres. Por fim ficou Staines, muitas vezes confundido (pelos estrangeiros) com stains (nódoa hehe) = pronuncia-se de maneira diferente.

2* Pensa-se que o rio Tamisa tomou o seu curso actual logo apos a Idade do Gelo. O rio foi a razao pela qual nasceu esta cidade.

3* Uma das ruas mais antigas é a Church Road, junto ao centro da cidade, mantendo casas originais do Sec XVII e Sec XVIII.

4* Staines é uma cidade antiga, situada a 6 milhas SE de Windsor e a 19 milhas SW de Londres, conhecida desde muito cedo como a "cidade-mercado", mantendo ate hoje a actividade comercial como um dos seus pontos mais fortes. Foram encontrados vestigios contemporâneos da Idade do Bronze.

5* Foi aqui que construiram a pirmeira fábrica de Linoleum do mundo, por Frederick Walton in 1862. Para quem não sabe o que é o Linoleum: é um tipo de pavimento, uma especie de cobertura em plástico para se pôr no chão, como se pôe alcatifa. Muitos de nós ainda tem este pavimento em nossas casas. Eu tenho, na cozinha e casa-de-banho.

6* Uma das coisas que mais me fascina aqui onde moro é o facto de aqui passar o "Thames River", famoso em Portugal como rio Tamisa. Rios, mar, riachos, lagos, preciso de viver perto de "água". Coincidiu ser també m o rio que passa na capital. E de repente uma epifania: o rio que passa na capital "Thames", começa com a mesma letra que o rio que passa na nossa capital "Tejo", ambas as capitais começam por L: "Lisboa" e "London".

7* Temos esquilos, muitos muitos esquilos. Uns simpáticos e atrevidos, outros mais arredios, mas vemos esquilos o ano todo. Eu tenho dois no meu jardim, de certo por causa da enorme nogueira que vive ao fundo do nosso jardim.

8* Raposas, sim. Não vivem na floresta, mas entre nós. Não tenho foto porque não se deixam ver com facilidade. Mas durante a noite e mesmo já de madrugada passeam pelos nossos jardins, a tentar apanhar um saco do lixo mais vulneárvel. Têem espaços verdes para "morar", mas o facto de estarmos cada vez mais perto do habitat dela, fez com que descobrisse comida fácil, muito tentadora.

9* As casas aqui não tem estendais. Ou temos um como o meu no jardim da casa, ou o court (condominio=prédio) tem um no respectivo jardim para todos os vizinhos, ou neste último caso as pessoas têem daqueles que se desmontam e colocam-nos no vão da escada, ou dentro de casa.

10* Há anúncios de emprego por todo o lado. Há trabalho para todos os gostos e feitios. Há muito a tradição dos part-time (alguns ainda pagam à semana) e há também trabalho flexível para mães. O trabalho flexível pode ser: entrar depois de levar os miúdos à escola e sair à hora de os ir buscar; pode ser trabalhar só alguns dias da semana. Há emprego-partilhado: duas mães aceitam um emprego a tempo inteiro e cada uma faz metade do horário.

11* na cidade onde vivo (e no resto da Grã-Bretanha) há casas do Council= casas da Câmara, mais baratas para pessoas, ou famílias que não podem alugar ou comprar uma casa. Há zonas próprias para estas casas. São bonitas, as ruas estão limpas e na sua maioria não são zonas mal frequentadas.

* Em Staines ainda há comércio tradicional, mas muito pouco, nota-se que cedem cada vez mais às dificuldades que as lojas da zona alta (high street) trouxeram.

12* Staines (e a maioria das cidades britânicas) tem uma High Street onde se encontram as cadeias de lojas mais fortes do país. Ter uma loja na High Street é um orgulho e não é para qualquer um. São quase sempre as mesmas: Marks & Spencer, WHSmith, bancos, Woolworths, etc... Depois, em torno das zonas residênciais temos outras zonas comerciais, como a "Broadway" em Staines, onde encontramos lojas de conveniência, lojas tradicionais e outras.

13* A minha cidade tem muitos "Parks" (parques, jardins de passeio), onde se fazem piqueniques, joga a bola, jogging, anda de bicicleta, brinca no parque infantil, se lê e tudo o que esteja ligado ao lazer ao ar livre.

14* Por aqui temos campos de ténis grátis.

15*No rio vemos muitos cisnes. Os cisnes são reais! O "Cisne Mudo" especie em causa, desde há muito que é uma ave muito apreciada. Foi-lhe dado o estatuto real durante o Sec XII e desde então se um cisne particular foge do dono, passa logo a ser propriedade da Coroa, passando a carregar em si a marca da realeza. Tradicção que ainda hoje se mantem: chama-se a isso "swan upping": uma vez por ano fazem o censo da população de cisnes reais, marcando as crias, ao longo do rio Thames, nos counties (mais ou menos equivalente a concelhos) de Oxfprdshire, Berkshire, Buckinghamshire, Surrey e Middlesex (Staines pertence a este dois últimos, numa grande festa!

16* aqui não comem caracóis, estes tornam-se uma praga e os jardins estao cheios de "armadilhas para eles: taças com cerveja, hehe, parece que eles gostam muito, mas depois, não me perguntem porquê ja não conseguem sair da taça.

17* Não temos caixotes do lixo para uma rua inteira. Cada casa tem o seu caixote, um para o lixo e outro para o reciclado. Cada um deles é recolhido de 15 em 15 dias, uma semana levam o lixo, na outra o reciclado. Para quem mora em apartamentos existem uma série de caixotes, na area do condomínio (de um modo geral ao fundo do jardim comum) e o sistema de recolha é igual. Cada rua tem destinado um dia de recolha. Na minha rua fazem-no à quarta-feira

18* Ao contrário de Portugal, aqui não há a tradição dos cafés. Na minha cidade (e nas restantes deste país)o rei e senhor é o Pub!! Não são pubs como os conhecemos em Portugal. Sao estabelecimentos antigos, extremamente bem decorados, onde até há pouco tempo ia a família toda, desde o bebé até ao avozinho. Era nos Pubs (e em muitos sitios ainda continua a ser) que se reuniam os amigos e a comunidade local para conviver, para beber um copo, para almoçar. De todos os sítios onde já fui, o Pub foi o que me serviu melhor comida, nham nham!

Por agora já vos contei um bocadinho do que tenho aqui de único. Quando conseguir ver mais coisas digo-vos, está bem?